domingo, 27 de março de 2011

um dia você se dá conta que a melhor fase da sua vida foi sua infância, quando não precisava se preoculpar com nada e com ninguém. não se preoculpava com o que os outros pensavam de você, com brigas e problemas. você não tinha opnião pra nada e pra você tudo sempre estava bem. você queria ver seus pais juntos, e que eles parassem de brigar, assim como do seus amigos. você não precisava de roupas de marca, nem de piercings e tatuagem. 50 pila era uma grana pra você. imagina quantas balas dava pra comprar? não precisava de muitos amigos porque podia imaginá-los. você desejava à união, a partilha, as brincadeiras, você desejava ser adulto. você sentia a felicidade sem motivo, sem nem saber que sentia, sem nem saber o que significava. não se perguntava quem era o presidente do brasil, o que foi a segunda guerra mundial, quantas pessoas morrem de fome por dia… e aí, um dia, um bendito dia, de repente, não mais que de repente você acorda. cai a sua ficha. alguém te da uma lambada. e percebe quantas pessoas existem a sua volta e repara que elas também reparam você. percebe que embora você seja único, você é igual a todo mundo. e nessa hora você fica tonto, porque ninguém vai parar o universo pra te explicar. começa a se preoculpar com as suas roupas, com escola, com seus sonhos, com o vizinho, com os outros, com os amigos, com piercing e tatuagens, com dinheiro, com festas, com sentimentos. já não consegue ter amgios imaginários. já não consegue mais nem imaginar. e você toma rémedios pra dor de cabeça, pra emagrecer, pra dormir, pra acordar, pra se acalmar; e você já não quer mais seus pais juntos porque eles brigam muito. e já não deseja união, e sente muito mais tristeza que felicidade. e o pior é que você aprende o que os dois significam, e acha que para senti-los precisa de algum motivo… você deixa de ser simples como uma brincadeira e passa a ser complexo com a segunda guerra mundial. você sofre por ver as crianças passando fome e sofre por não ter roupa pra festa de amanhã. e você se perde nesse mundo de etiquetas que nada valem, mas que sempre carregam junto um preço alto e um produto fútil. e começa a se perguntar, “quem sou eu?” e de novo você começa a ficar tonto. então você erra, e erra de novo, e pede desculpas, mas sabe que elas não apagam o passado e muito menos fazem ele voltar. e é ai que chega o dia em que você realmente queria que ele voltasse. chega o dia em que você deseja ser criança: não ter mais problemas, perdoar fácil porque nem sabe o que é errar. e tudo é tão perfeito, tão alegre. e o sol? e as estrelas, quanto tempo faz que você não as conta? o castelo de areia, o lápis de cor… tudo acaba. a nossa vida acaba. e passamos a maior parte dela tentando desvenda-la, tentando achar nosso caminho aqui na terra. isso tudo porque somos orgulhosos o suficiente pra achar que pra toda pergunta a uma resposta, e tudo que existe tem uma razão. talvez não devemos viver cada minutos intensamente, talvez não devemso aproveitar o maximo. talvez não devêssemos nos arrepender, mas também não deveríamos pensar no “eu não devo”. seria bom se eu pudesse descomplexar a minha vida, tranformá-la numa brincadeira e não numa guerra, pois desses dois a segunda sempre será a pior opção. também não quero perder as coisas que me fazem mal, pois é com elas que aprendo ser alguém bom. e é com elas que aprendo a enfrentar meus problemas. não quero tentar compreender o que não tem explicação, e se for pra desejar voltar no tempo, que seja por causa de momentos bons, e não porque me arrependi. afinal, se não fosse assim, quem sabe como seria? a única coisa que eu quero neste momento é sentir. sentir todas as emoções com intensidade, não importa quais sejam. sentir meu coração pular, não importa o motivo. também não importa se eu chore ou sorria. a única coisa que importa é que estou viva agora, e que como uma criança, eu possa ser feliz pelo simples fato de existir.

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